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“Acelera Angola” preocupada com ideias inibidas e projectos encalhados

Por Fuzi da Silva

Atenta à dinâmica do mosaico empresarial nacional e preocupada com à dispersão de ideias inovadoras jovens, particularmente neste período de crise económica e financeira que o país vive, a empresa “Acelera Angola” decidiu estender (este ano) a sua estratégia de actuação a acções formativas e monitorização de jovens ávidos em empreender.

Trata-se de numa iniciativa privada focada essencialmente em opções e projectos voltados ao empreendedorismo, resultante da necessidade de se preencher um “Ecosistema” inibido mas em desenvolvimento que ainda precisa de consolidar conceitos e virtudes já mais avançadas de outros lugares e mundos (….).

Por esta razão, e no quadro da expansão e diversificação dos negócios da empresa, a Acelera Angola abriu, recentemente, um espaço de co-working (escritório partilhado) e uma pequena incubadora de ideias e projectos (no dia três deste mês), com o propósito de ensaiar várias experiências, de forma combinada, para avançar a inovação dos negócios e produtos.

“Acelera Incubadora” é a designação desta filiar que tem como objectivo a incubação de start-ups (inexperientes) ligadas às áreas de Media, Tecnologia de Informação e Marketing e Formação, com vista a criação de um ambiente de segurança e inovação para as empresas e empreendedores iniciantes, de acordo com o seu CEO, José Carlos Santos.

“Pretendemos que no primeiro ano as cinco empresas recém-criadas possam estabelecer as primeiras etapas do seu nascimento com maior segurança, e que o sucesso seja footprint de aceleradores na criação de emprego, ideias e formação” – augurou, o responsável no acto de apresentação dos referidos projectos.

Referindo-se particularmente a “Acelera Co-Working Space”, o gestor sublinhou que será um espaço reservado à start-ups e empresas interessadas, através do networking e da criatividade, chegar à próxima ideia de negócio, conceito de produto ou troca de experiência por via da formação, mentoria, coaching, entre outras iniciativas e eventos afins.

A apresentação dos referidos projectos decorreu em Luanda, e contou com distintas individualidades, com realce para a embaixadora dos EUA em Angola, Helena La Lime. Durante a mesma foi também publicamente oficializado o funcionamento do Portal Ongoma News, vocacionado à publicação de notícias e entretenimentos.

De direito angolano, a Acelera Angola foi criada em 2016, após a realização da 1ª Semana Global do Empreendedorismo em Angola, organizada pela própria empresa, com o apoio da Touch & Talk, igualmente marca angolana, que está no mercado há 5 anos, actuando na área de Consultoria e Serviços.

Sobre este assunto e outros, segue-se a entrevista com o Director Executivo da Acelera Angola, José Carlos Fernandes dos Santos.

 

IP – Qual é a destrinça que nos pode fazer entre a Acelera Angola e o Portal Ongoma?

Não existe uma distinção; Este projecto surge de sinergias comuns e de um interesse em poder ter uma publicação, atualizada e permanente sobre empreendedorismo, ideias e inovação para Angola.

IP – Em termos gerais, como é que nos descreve a Acelera Angola e qual o foco principal da empresa?

É uma iniciativa privada, que surgiu da necessidade de preencher um Ecosistema inibido mas em desenvolvimento que ainda precisa de consolidar conceitos e virtudes já mais avançadas de outros lugares e mundos.

IP – Além do Ongoma, que está voltado ao segmento da comunicação social, que outros serviços e produtos disponibilizam?

Essencialmente em opções e em iniciativas voltadas para o empreendedorismo. Por este motivo abrimos recentemente um espaço de co-working e também uma pequena incubadora de ideias e projectos. Vamos ensaiar várias experiências que queremos certamente amalgamar para avançar a inovação dos negócios e produtos.

IP – E nesta senda, quais os vossos potenciais clientes e/ou público-alvo?

São todos interessados em realizar os seus negócios, materializar ideias, vender produtos, aplicar ou estudar, investigadores, pessoas ligadas a instituições públicas e privadas de ensino, mas também de várias áreas que necessitam de entender melhores padrões, tendências e novos empreendedores.

IP – Onde é que está sediada a Acelera Angola?

Esta sediada em Luanda, Angola. Mas contamos fazer uma rápida expansão para outras geografias. É possível porque não se trata apenas de algo físico, mas sim de uma forma de estar e um conceito.

IP – Em que posição coloca Angola, no contexto do mercado empresarial africano?

Acredito que podemos considerar que em alguns sectores, pela forma de actuação, estamos muito avançados, mas somos ambiciosos e jovens como país, como empreendedores e empresários. Logo devemos fazer o nosso percurso sempre de modo consolidado, mas com os passos mais seguros e exequíveis. África ou qualquer outro continente hoje não está isolado, estamos cada vez mais conexos a um mundo Globalizado, em que as fronteiras estão a ser substituídas por infraestruturas e ligações. Logo não podemos retratar a nossa posição como se fosse apenas algo geográfico e exacto, há muito mais além. Sabe dizer-me quantos Angolanos há na Argélia, ou então no Níger? E quantas empresas já foram abertas por nós lá? Talvez conseguirmos ter este tipo de dados ajudará imenso na nossa posição como investidores e empreendedores.

IP – E a quanto tempo existe a Acelera Angola como “grupo” e o Portal Ongoma, em particular, enquanto produto acoplado?

Acelera Angola como iniciativa de Portal para o empreendedorismo existe desde dia 3 de Março 2017, e não possui quaisquer marcas associadas até ao momento.

IP – Tem alguns parceiros e está vinculada a alguma associação?

Um dos parceiros principais a esta iniciativa é a Global Entrepeneurship Week Angola.

IP – E a vossa capacidade de resposta vai de encontro com a demanda do mercado?

Acreditamos que sim, temos um grupo muito coeso, e com bastante vontade de triunfar. Nós não sabemos qual é a demanda do mercado, mas é por isso que deve existir o risco, e identicamente alguém a experimentar, chamem-nos voyagers dos novos oceanos, muitos ficaram pelo caminho, que é longo.

IP – Sobre a concorrência, o que tem a dizer: a Acelera Angola teme-a ou sente-se tranquila por não sentir ameaça das congéneres?

Acredito que somos o primeiro portal especializado em empreendedorismo em Angola, a intenção é que existam mais 100 este ano! Neste momento é mais por solidarização a nossa condição de angolanos do que propriamente de “businessman”. O objectivo é mostrar que é possível produzir coisas novas, ou testar sobre coisas diferentes.

IP – Principais projectos implantados pela empresa e outros em carteira ou na eminência de ser implementados?

Este é o único projecto para já implantado.

IP – Quantos funcionários tem a Acelera Angola, em particular angolanos?

Todos os funcionários são angolanos, para já somos apenas 5.

IP – No geral, como avalia actualmente o sector das Tecnologias de Informação e Comunicação em Angola?

Esta em franco crescimento; existem mais coisas construídas do que divulgadas. Devemos dar grande mérito a todo investimento já realizado, seja pelo Estado ou por projectos privados. Devemos, no entanto, investir cada vez mais na Educação e Formação de mais quadros ligados ao sector, por aqui está o Nosso futuro e do mundo em geral.

IP – Em sua opinião, quais das componentes das TICs está mais desenvolvida cá no país: Informação, Comunicação ou Telecomunicação?

Acreditamos que os 3 estão em igualdade de crescimento, mas com imenso por construir.

IP – Que sector das TICs antevê para Angola até 2025, data definida para a concretização das acções contidas do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2025)?

Em 8 anos é possível transformar um sector inteiro como um país, logo não tenho qualquer incerteza da nossa capacidade de alcançar qualquer plano. A palavra-chave, não é tanto só o planear, mas sim o “Desenvolvimento Nacional”, isso sim é importante para qualquer sector Nacional.